quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Somethings are just alucinations...

Somethings are just hallucinations

   Era noite. A chuva batia nas janelas e pelo teto se ouvia a sua força. Ouvia-se de longe um ruído, algo festivalesco, com música, risos, gritos. Talvez uma feira. Olhei em minha volta à procura de algo que identificasse o local onde estava. Era como se nada fosse reconhecível. A única certeza que permanecia evidente era que não pertencia ali. Fechei os olhos, na esperança de encontrar uma lembrança que me colocasse naquele lugar. A madeira estalava e ouvia-se o som de gotas a cair num recipiente, uma a uma, e o som ressoava por todo o espaço. Ping...Ping....Ping......Ping........Ping! Abri os olhos de novo. Não havia memória deste local. "Onde estou?". Um quarto velho e vazio prolongava-se à minha volta. Não existia nada para além de um espelho poeirento na parede, pendurado à altura do rosto, uns baldes que mantinham a água que , caia do teto e a cama onde eu estava deitada que rangia cada vez que expirava. O espaço padecia de um cheiro inexplicável, como se estivesse inabitada ou inutilizada por muitos anos. Tentei mover-me mas a gravidade era demais para mim. Era como se a cada movimento, a cada contração muscular, a cada milímetro de ar atravessado um peso cada vez maior se abatia sobre mim.

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